Este Blogue não tem como finalidade apresentar um trabalho científico sobre o Judaísmo, a cabala ou o Quinto Império. Destina-se unicamente a servir de suporte ao entendimento generalizado das principais figuras deste romance e aos locais onde o mesmo se desenvolve.



quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Capa

      Já não é segredo, a capa do romance A Corda de Judas Iscariotes acaba de ser publicada no site da minha editora, A Fonte da Palavra. Digo minha editora pelo facto do seu responsável nos tratar a nós, os autores, com um carinho, respeito e atenção que nos permite sentir a todos este projecto, como duma família se tratasse unida pelos livros.
    Obrigado, amigo José Marques, pelo cuidado e pelo entusiasmo que colocou nesta capa. Obrigado ainda aos amigos dos nossos amigos que também deram as suas opiniões para que este romance tenha o sucesso que todos desejamos. É estimulante saber que a Corda já não pertence ao autor e não vai ficar a aguardar pelas disponibilidades de agenda. Valeu a pena esperar para ver nesta capa o Beijo da Traição.

domingo, 16 de maio de 2010

A Cabala

      Cabala, também conhecida por outras formas de escrita: Kabbalah, Qabbala, Cabbala, Cabbalah, kabala, kabalah, kabbala é tão misteriosa como as diferentes formas de escrita. Poderemos encontrar dezenas de definições e nenhuma nos diz o que realmente é a Cabala, pelo simples facto de ser uma sabedoria que investiga a natureza divina. No entanto, se repararmos no significado etimológico,  a  Kabbalah (קבלה QBLH) é uma palavra de origem hebraica que significa recepção.
     São vários os romances que abordam esta temática e as pesonagens que a envolvem, os cabalistas, entre nós o mais conhecido talvez seja o ´"Último Cabalista de Lisboa" de Richard Zimler. A Corda de Judas Iscariotes não vai revelar os segredos da Cabala, mas acrescenta um novo dado, na medida em que desenvolve a possível ligação da Cabala às sociedades secretas da actualidade. Cabala, na perspectiva do autor é essencialmente luz, o conceito é muito vago, mas simbolicamente é o que melhor exprime o acto de recepção e de descoberta da natureza divina.
     Aliás, se tivermos em conta  as experiências dos maiores místicos, de que Santa Teresa de Ávila é um dos melhores exemplos, todas elas se aproximam de experiências cabalísticas.

sábado, 15 de maio de 2010

Judeus Sefarditas

      Independentemente da discussão à volta do termo sefardita, se estes seriam judeus oriundos do Sul de Espanha e do Sul de França, normalmente entende-se por sefarditas os judeus que foram expulsos de Espanha e de Portugal, a partir do reinado de D. Manuel, tendo-se refugiado na Holanda, nas cidades italianas mais influentes da época e na Turquia.
     É importante realçar, como se pode ver pelos documentos da época, nomeadamente nas Tribulações de Samuel Usque, que estes homens e mulheres, apesar de todas as provações por que passaram, mantêm sempre um carinho espantoso pela pátria que os viu nascer e pela língua materna. Samuel Usque fazia questão de escrever em Português, dizendo que não podia negar a "língua que mamou". A expressão é única e só encontra paralelo em Fernando Pessoa.
      A Corda de Judas Iscariotes antecipa-se a este debate e coloca a questão da nacionalidade em sentido oposto. José Mendes, depois de descobrir que é "anussim", por outras palavras, oriundo de uma família de judeus marranos obrigados à conversão, é recebido no seio da comunidade judaica de Esmirna. Trata-se de uma admissão no seio de uma comunidade religiosa. A questão agora é também de ordem política: têm estes judeus direito à nacionalidade? A pergunta é muito simples, existe nacionalidade sem um passado étnico, cultural e linguístico? Sabemos que, pela política e pela economia, basta um indivíduo dar dois pontapés numa bola para conseguir a nacionalidade portuguesa, ficamos mais ricos por isso? Restabelecemos a paz e matamos os fantasmas do passado?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Reaquisição da nacionalidade portuguesa pelos judeus sefarditas

Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República
Considerando que:
(a) Fui abordado por representantes da comunidade de judeus sefarditas, residentes no estrangeiro, que desejam poder recuperar a nacionalidade portuguesa que foi a de seus antepassados.
(b) Os judeus sefarditas foram expulsos de Portugal ou forçados ao exílio a partir das perseguições de finais do século XV, continuando a considerar-se e a referir-se a si mesmos como “judeus portugueses” ou “judeus da Nação portuguesa”.
(c) Presentemente, constituem um grupo pequeno, tendo alguns membros cidadania israelita, sendo que a maioria vive no Brasil na maior parte do tempo e correspondendo quase todos a indivíduos com educação de nível superior, em geral profissionais liberais e que, na maioria, falam mais do que o português.
(d) Há muitos judeus sefarditas que aspiram a recuperar a nacionalidade portuguesa, de que se encontram privados mercê da expulsão e/ou exílio forçado dos seus antepassados.
(e) A Espanha – que fez expulsões similares às ocorridas em Portugal – já adoptou legislação, desde 1982, que permite a naturalização dos judeus sefarditas de origem espanhola ao fim de dois anos de residência em Espanha, à semelhança da norma aplicável a um conjunto limitidado de origens específicas. E, em 2008, adoptou a possibilidade por “carta de natureza” e atribuiu a nacionalidade espanhola, independentemente de residência, a judeus sefarditas, mercê unicamente de um conjunto de indicadores objectivos (apelidos, idioma familiar) e competente certificação pelo rabino da comunidade.
(f) Os judeus sefarditas interessados em recuperar a nacionalidade portuguesa sublinham que outros países, como a Grécia, já adoptaram legislação de reaquisição de nacionalidade por judeus expulsos e seus descendentes e que a própria Alemanha o fez, face à tragédia mais recente.
(g) Portugal é dos poucos países, senão o único, que não dispõe de normas para reaquisição de nacionalidade pelos descendentes de judeus expulsos.
Assim, tendo presente as normas constitucionais e regimentais aplicáveis,
O Deputado do CDS-PP, abaixo-assinado, vem por este meio requerer ao Ministro da Justiça e ao Ministro da Administração Interna, por intermédio de Vossa Excelência, nos termos e fundamentos que antecedem, a resposta às seguintes perguntas:

1. Tem conhecimento da situação e desta aspiração dos judeus sefarditas de origem portuguesa?
2. Considera que é possível atender a sua pretensão de reaquisição da nacionalidade portuguesa, no quadro da lei e da regulamentação vigentes? Por que modo?
3. Não havendo legislação vigente que possa satisfazer a aspiração dos judeus sefarditas de origem portuguesa, está aberto a que possa ser adoptada proximamente? Concorda nomeadamente com a adopção em Portugal de um regime de naturalização dos judeus sefarditas originários de Portugal simlar ao que já vigora na vizinha Espanha?
Palácio de São Bento, 10 de Maio de 2010
O deputado:
José Ribeiro e Castro

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Cimetière Israélite de Veyrier

      Não se pode dizer que a Corda de Judas Iscariotes seja um romance de cemitérios. Nada disso, antes pelo contrário. Os cemitérios nesta obra estão perfeitamente enquadrados ao serviço da narrativa. Um dos cemitérios aqui referenciados mais simbólico é o de Veyrier, em Genebra, na medida em que se encontra situado em dois territórios distintos, o francês e o suíço. A linha fronteiriça passa por entre os túmulos e o local pode trazer alguns inconvenientes aos visitantes em termos burocráticos, perdoem os nossos amigos judeus o humor negro, duvidamos que os traga aos residentes.
       O local merece todo o respeito não só pela função que desempenha de enterrar os mortos, mas principalmente por ter ajudado a salvar muitos vivos da perseguição nazi. Aviso desde já os leitores que, em caso de curiosidade em visitar o local, não devem transportar objectos susceptíveis de declaração aduaneira, conforme consta do aviso. Pergunta-se se para os vivos se também para os mortos.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Sexo

    Perguntarão alguns se há lugar ao sexo na Corda de Judas Isacriotes. A resposta é afirmativa. Sexo e bom sexo. Melhor dizendo, uma perspectiva diferente do sexo, num encontro de religiões e de culturas onde todos ficam a ganhar quando olhamos o outros com tolerância e com reconhecimento pelos valores que cada um tem.
    Se tem curiosidade sobre as implicações da circuncisão nas relações sexuais, se tem curiosidade sobre a importância da virgindade, do estado de pureza e de impureza entre as mulheres judias, então a leitura deste romance pode tornar-se numa agradável surpresa na forma como estes temas foram vistos sem preconceitos, procurando descobrir como o amor por tornar conciliável tudo aquilo que, à partida, poderia ser um impedimento.
    Na imagem podemos observar um moderno "micvê", lugar onde a mulher retoma o seu estado de pureza, após qualquer derramamento de sangue pela vagina. 

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Inquisição

     O Tribunal da Inquisição é uma das personagens colectivas da "Corda de Judas". A presença desta instituição na obra é levada a cabo por um autor que não esconde as suas convicções religiosas. Assume-se como Católico e, enquanto tal, de forma tolerante e com respeito pelas outras convicções. A abordagem desta temática é feita de forma esclarecida, sem pretender ocultar crimes, mas também sem vergonhas e, muito menos, sujeito aos lugares comuns e estereótipos que se criaram à volta desta fase da História.
      Em todos os tempos e em todos lugares existiram homens a quem a intolerância cegou; do mesmo modo houve outros que foram surpreendentemente modernos. Essa é uma das maiores tragédias da História dos homens que continua sem resolução. O que seria o mundo hoje sem a intolerância entre cristãos e judeus é uma das questões que é levantada nesta obra. 
      Mais do que uma marca do tribunal da Inquisição destinado a assinalar todos aqueles que eram mal convertidos à fé cristã, o sambenito carrega também todo o peso dos séculos entre dois povos, duas culturas e duas religiões tão próximas e ao mesmo tempo tão distantes.