Este Blogue não tem como finalidade apresentar um trabalho científico sobre o Judaísmo, a cabala ou o Quinto Império. Destina-se unicamente a servir de suporte ao entendimento generalizado das principais figuras deste romance e aos locais onde o mesmo se desenvolve.



terça-feira, 5 de outubro de 2010

Uma monarquia sem monárquicos e uma república sem republicanos

       Este é o título dum pequeno artigo escrito para a Revista Villa da Feira. Não é de forma alguma um ataque à República enquanto regime, pois não saberia neste momento por qual optar, se pela monarquia se pela república, é antes uma tentativa de denúncia do pântano ideológico em que vivemos.
      A frase uma "monarquia sem monárquicos" pertence ao próprio D. Carlos, a segunda é uma imitação da minha parte. Em qualquer dos casos, a situação é praticamente idêntica. No tempo da monarquia, o rei e a Igreja foram responsabilizados por todos os atrasos que o país tinha, o rei foi morto e os frades expulsos. Hoje, quem é o responsável? Quem vai ser o morto, quem vai ser expulso?
      É tempo de modernidade e de mudança, quer voltemos à monarquia, quer permaneçamos na República, algo tem que mudar. Diria a começar pelos símbolos. É tempo duma vez por todas alterar os símbolos da República que, hipocritamente, manteve toda a simbologia monárquica baseada na Batalha de Ourique, no mito do Quinto Império, nação santa, povo eleito.
    Ou por ignorância, ou por manifesta falta de vergonha, pede-se o fim dos símbolos religiosos, mas mantêm-se os mesmos na bandeira, é tempo de os retirar. Lanço já uma sugestão, que tal um Computador Magalhães?

domingo, 3 de outubro de 2010

Crise, qual crise? Na folia não vejo crise.

     Diziam os romanos que à mulher de César não basta ser séria, tem que o parecer. Costumo corrigir este provérbio e acresentar, desculpem-me as ilustres senhoras romanas, À puta da mulher de César não basta ser séria, tem que parecer séria. Devem ter percebido que o meu calão não é dirigido a nenhuma das nossas mães, antes é utilizado com um sentido alegórico.
    Tudo isto a propósito dos concertos dos U2, sempre com casa cheia, enquanto um grupo  considerável de cidadãos que trabalharam a vida inteira vai ficar com a barriga mais vazia. E não me prende qualquer tipo de animosidade para com estes senhores, pesoalmente aprecio o barroco na época, não parecio manifestações barrocas modernas, mas essa é outra história. O que a mim me lembra, em tempos de outras crises, se alguma vez saímos da crise, é que em nome dela, o coitado do Julito Iglesias, quando ainda fazia derreter corações, não foi autorizado a fazer um concerto entre as ilustres hermanas e hermanos lusitanos.
     Posso assim concluir que a crise ainda não chegou à folia, supostamente deveria começar por aí, mas pela aragem ainda não chegou à carruagem, só ao TGV e aos funcionários públicos.

sábado, 2 de outubro de 2010

Premio Leya

   Prémio Leya 2010

   Terminado o prazo para a recepção de originais, a 31 de Maio último, a edição deste ano do Prémio LeYa encontra-se na fase de análise dos romances recebidos. Em breve será anunciada a data da revelação do vencedor que, conforme o regulamento, será antes do final do corrente ano.

     Aguardam-se apostas para o vencedor deste ano.

Opção A - Angolano ( ou outro país lusófono a quem ainda não foi atribuído prémio).
Opção B - Nunca será um autor do Brasil ou de Moçambique.
Opção C - Não será atribuído prémio por manifesta falta de qualidade.
Opção D - Não será atribuído prémio pelo facto do nome escolhido não ser catalogável entre os autores do grupo Leya.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Letras Comvida

       Foi lançado o primeiro número da Letras Comvida. Uma revista de gente Com Vida e que, só pela capa, convida.
      Poderia falar aqui do Conselho Científico nacional e internacional que apadrinha esta publicação, bem como da editora que se reponsabiliza pela edição, mas não é necessário. Prefiro falar do entusiasmo e do carinho de todos aqueles que lidam directamente com esta publicação para fazer dela uma revista diferente, Com Vida.
     Vale a pena ler o primeiro número, todos vamos ganhar mais alguma vida neste país que precisa efectivamente de nova vida no campo das letras e da cultura.
      Agradeço também a excelente leitura crítica com que Raquel Drumond Guimarães honrou o livro da minha esposa, Dom Juan e o Donjuanismo. Foi um artigo que nos surpreendeu e pelo qual ficamos imensamente gratos.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Grácia Nasi, uma biografia ortodoxamente correcta

      Em ano de celebrações, este é mais um livro que pouco ou nada adianta à biografia de Gracia Nasi. Lamento dizê-lo, mas é mais uma oportunidade editorial para lembrar os quinhentos anos do nascimento da Senhora, em 1510.
      Como a própria autora refere, a "lendária Dona Grácia inflama periodicamente a imaginação ocidental, sem dúvida porque no fundo sabe-se muito pouco dela". Sem dúvida que Esther Mucznik tem razão, tanto mais quando atesta que não encontrou unanimidade nos historiadores que estudou. Todavia, é necessário algum atrevimento, sob pena de corrermos o risco de nada acrescentar a tudo quanto já sabemos. E o resultado ficou à vista, uma biografia resumídíssima de Grácia Nasi, politicamente, diria antes, religiosamente correcta. 
      Na verdade, com esta Grácia, nunca me teria sido possível escrever a "Corda de Judas Iscariotes" e nem a Ester poderia alguma vez tornar-se numa futura rainha de Israel. Grácia Nasi, cito Esther, foi em primeiro lugar uma grande mulher de negócios. Grácia, ainda segundo Esther Mucznik, não terá morrido na Terra Santa, sendo o mais provável Istambul. Acerca desta possibilidade não apresenta qualquer prova, nem as diversas leituras.
     A Grácia Nasi de Esther Mucznik, vinda a lume pela Esfera dos Livros, é essencilamente uma mulher da  ortodoxia judaica, vítima da cegueira inquisitorial de D. Manuel. Mantém-se, por isso mesmo, aberto o caminho para que a imaginação ocidental continue a ser inflamada pela vida desta mulher admirável. Pena é que, do lado oriental, não haja uma atitude semelhante para partir à decoberta de Gracia heterodoxa, da Gracia Nasi milenarista, da cabala. Até onde chegou a Senhora só o entenderemos na forma como morreu, se picada pela áspide, tornada uma nova Eva, se debaixo da protecção do Turco. Da minha parte, admiro particularmente a primeira, e mesmo que tal não tivesse acontecido, não deixaria de ser rigoroso apresentar outras hipóteses. 
      Sem pretender de forma alguma fazer deste um cavalo de batalha, fiquei triste com esta perspectiva tão redutora de Beatriz de Luna. Se o interesse foi também o de repassar mais uma vez a intolerância de D. Manuel, explorado e criticado vezes sem conta por autores cristãos e católicos, esperava-se também uma maior abertura por parte duma autora de origem judaica em relação aos fanatismos e fundamentalismos judaicos, se é que podemos falar de fanatismos atendento aos tempos e aos lugares.
    Termino com uma alínea desta biografia "Para o ano que vem ... em Tiberíades? Lanço daqui o desafio, para o ano uma biografia da Senhora a partir de Tiberíades.
      

sábado, 18 de setembro de 2010

Gracia Nasi

    O tema parece estar na moda. Gracia Nasi volta à ribalta através duma biografia recentemente publicada pela Esfera dos Livros.  A ver pela sinopse: "A história judaica tem mulheres extraordinárias. Da matriarca Sara à sionista Golda Meir, muitas mulheres judias fizeram história. Grácia Nasi foi uma delas. Com um carácter intocável e uma personalidade de ferro moldada pelas agruras da vida, esta mulher não teve medo de desafiar homens, papas, reis e o seu próprio destino. Nasceu em 1510 em Portugal depois de a sua família ter sido perseguida e expulsa de Espanha. Contudo não seria em Lisboa que encontraria a tranquilidade desejada. Viúva aos 25 anos, herdeira de um império comercial e de uma incalculável riqueza cobiçada por todos, Grácia Nasi torna-se numa verdadeira mulher de negócios, assumindo o seu espírito pioneiro e empreendedor, traço marcante dos sefarditas judeus/cristãos novos. Grácia Nasi percorre o mapa da Europa, passando por cidades como Antuérpia e Veneza, até chegar ao Império Otomano, onde finalmente pode praticar a sua fé às claras, sem recear qualquer perseguição. É aí que se dedica a ajudar os seus correligionários a escapar à Inquisição, apoia o estudo e o ensino religiosos, bem como a edição de Bíblias e estende a mão aos mais necessitados.
Nada tenho a dizer em relação a esta sinopse, falta ler o livro, se o conteúdo for o que aqui é referido, Gracia Nasi foi tudo isto mais o outro lado. Espero sinceramente que a autora não tenha tido receio de falar de Gracia como a outra Eva e venha de encontro da leitrua da "Corda de Judas Iscariotes".

domingo, 29 de agosto de 2010

Da Ficção para a História

      Estive recentemente em Florença, no Archivio di Stato, uma semana de corrida contra o tempo e contra a burocracia italiana que bate a nossa por largos pontos. Entre os vários fundos deste arquivo, destaca-se o Fundo Mediceo del Principato, que se aproxima dos 7 000 códices, cada um deles o maior, a atingirem por vezes quase os 2000 fólios.
     Posso dizer que não encontrei propriamente aquilo que procurava, no meio deste mar de documentos, principalmente de cartas, mas deparei-me por mero acaso com uma carta manuscrita, assinada por Abrãao Cardozo, aquando da sua partida para Tripoli. Aguardo o envio deste documento para publicar no blogue, mas desde já posso dizer que este é um caso curioso de como a ficção pode não ficar assim tão afastada dos factos históricos. Quando escrevi a Corda de Judas Iscariotes, não dispunha de provas por mim analisadas dum conhecimento efectivo entre Cardozo e Cosme III.