Porque faz bem ao ego, ao contrário do que diz este amigo que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente; porque não lhe pedi autorizção para divulgar publicamente um e-mail pessoal, assino com anonimato de "Um leitor" e uma ou outra rasura pontual.
Fantástico! É o que posso dizer-lhe sobre "A corda..."... li-o em duas penadas, como se diz em português!
Talvez não seja um livro fácil, isto é... transmite saber e conhecimento (o que eu aprendi! Caramba... e se gosto disso!) o que nem toda a gente aprecia, está preparada ou mesmo procura num livro, muitas vezes preferem rever-se nas angústias do herói e assim exorcizar as suas depressões, ou fazer uma leitura directa dos casos relatados sem qualquer ligação a coisa nenhuma, pelo vazio das suas mentes...
É um livro erudito e para os amantes quer da boa literatura (gosto do seu estilo de escrita) quer dos grandes temas, e a ligação ao presente fazem dele uma trama actual e que se lê com gosto. Atrevo-me a dizer que já vi filmes com argumentos mais fracos... e que foram sucesso!
A ligação com o Padre António Vieira e a sua visão globalizante é sublime! Confesso que a minha preferência vai toda para essa época, aliás muito bem interligada à acção na actualidade e ao estabelecer do laço entre o cristão-novo e o judaísmo [...].
Olhe... põe o Olho de Herzog KO! Na minha sincera opinião de leitor... embora perca apenas pela grandiosidade e diversidade das descrições históricas para No Rasto do Jaguar, que muito sinceramente é uma das melhores obras que li ultimamente.
Olhe... põe o Olho de Herzog KO! Na minha sincera opinião de leitor... embora perca apenas pela grandiosidade e diversidade das descrições históricas para No Rasto do Jaguar, que muito sinceramente é uma das melhores obras que li ultimamente.
Não consigo perceber de facto que ou quais reticências teriam feito hesitar na publicação? Talvez porque o meu amigo não se chame Rodrigues dos Santos? Ou Sousa Tavares? Tal livro, com a promoção (falo de esclarecimento!) adequada seria um romance muitíssimo importante para as nossas memórias e compreensão de tanta coisa... desde logo dos judeus, que são parte da nossa gente e de nós mesmos enquanto povo! Ignorá-lo é desconhecer e negar que somos afinal uma espécie de "cozido", onde se mistura tudo o que é sangue e povos do Mundo antigo inteiro! E basta percorrer com olhos abertos este pequeno país e ver as diferenças gritantes, físicas e culturais, entre a nossa gente, que são disso testemunho e fazem dele uma maravilha da diversidade.
Isto que digo não se destina nem a aumentar-lhe o ego nem a ajudá-lo a carpir-se, já percebi que como Transmontano de gema é pouco dado a isso e nem precisa!
Mas que é uma pena o seu livro não estar devidamente assinalado nas livrarias é um facto! Assim como do sublime pensamento desse homem que foi o Padre António Vieira, saber de onde possam ter-lhe vindo as suas idéias, e aquilo que nos falta descobrir sobre nós próprios, povo que se vem perdendo e esquecendo de si mesmo!
Creio que a forma de se ir educando e tentando levar a água ao moinho dos que ainda pretendem continuar a ser povo, não por nacionalismos bacocos mas por identidade cultural que sentimos, é através da leitura e não de forma pesada, com tratados ou ensaios, mas aligeirando a história e contando-a através de histórias e romance, promovendo a curiosidade sobre temas e pessoas, mostrando que a ficção perde para a história no tocante ao maravilhoso e ao imaginário!
Despertei já para vários assuntos que o seu livro me trouxe, desde o nome do meu amigo Manaças... ao "ladino", coisa que desconhecia totalmente! Estará ele ligado ao mirandês?
Enfim, desculpe-me estar a roubar-lhe tanto tempo, mas o entusiasmo que senti com o seu livro me fez perder as estribeiras... perdoe-me!
Com uma grande abraço e o bem-haja pelo que me proporcionou com a escrita do seu livro
(Um leitor devidamente identificado)






